segunda-feira, 1 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
RESSUREIÇÃO!
Cristo Ressuscitou ... Aleluia!
Paróquia do Senhor Jesus dos Navegantes de Paço de Arcos
RAFFAELLO SANZIO Urbino, 1483 - Roma, 1520
RAFFAELLO SANZIO Urbino, 1483 - Roma, 1520
sábado, 30 de março de 2013
O EVANGELHO SEGUNDO FREI BENTO DOMINGUES
Frei Bento Domingues
In PúblicoALTERNATIVO?
ECONOMIA DO BEM COMUM-MODELO ALTERNATIVO?
1. Quando, perante uma situação insuportável, na Igreja ou na sociedade, no âmbito teológico ou político, se diz que não há alternativa, é sinal de que a ditadura não anda longe. Se não for passagem para uma possível superação, o simples jogo dos "prós e contras" não passa de um entretém. O importante é uma arquitectura que supere e integre o que existe de fecundo entre posições que enlouquecem no isolamento ou no choque frontal.
Na Doutrina Social da Igreja (DSI) (1), o tema do bem comum é incontornável. Para João Paulo II, constituía mesmo o seu ponto-chave.
Para Friedrich A. Hayek, o bem comum é um conceito primitivo que remonta aos instintos ancestrais de tribos de caçadores, no tempo em que as pulsões colectivistas dominavam a consciência humana.
Ao contrário deste célebre autor, a noção de justiça social e de bem comum têm outras fontes, bíblicas e greco-romanas, alimentadas por alguns Padres da Igreja. Tomás de Aquino, na linha de Aristóteles, deu a este conceito a função de princípio da sua arquitectura ético-política.
Já Santo Agostinho (2) via que a questão social não se resolve com falsos elogios à caridade: "não devemos desejar que haja indigentes para poder exercitar as obras de caridade. Dás pão ao faminto, mas melhor seria que ninguém passasse fome e não fosse necessário socorrer ninguém. [...] Todas estas acções são motivadas pela misericórdia. Esquece, porém, os indigentes e logo cessarão as obras de misericórdia; mas acaso se extinguirá a caridade? Mais autenticamente amas o homem feliz a quem não há necessidade de socorrer; mais puro será este amor e muito mais sincero. Porque, se socorres o necessitado, desejas elevar-te acima dele e que ele te fique sujeito, porque recebe de ti um benefício. O necessitado, tu o ajudaste por isso te crês como superior aquele a quem socorreste".
No pensamento de Tomás de Aquino, recolhido na DSI, o princípio dos princípios é o destino universal dos bens, que não impede a propriedade privada, mas não faz dela um absoluto. É, precisamente, o conceito de bem comum que integra os direitos e os deveres das pessoas, num todo, sem excluir ninguém. Pertence à virtude da justiça garantir que os direitos e deveres de uns não neguem os direitos e deveres de outros.
2. Jacques Maritain (3) teve o mérito de, nos anos 40, obrigar a debater as relações entre a pessoa e o bem comum, não como excluindo-se, mas como exigindo-se mutuamente. O primado da pessoa é o primado de todas as pessoas, não é o privilégio de algumas. Pertence aos governantes o cuidado do bem comum, para que a política não sirva privilégios, mas a justiça.
Michael Novak (4), em pleno triunfo do liberalismo, lembrou que a democracia liberal tinha as suas raízes na tradição judaico-cristã e não na teoria racionalista do século XVIII. Pretende que a noção de bem comum é tão familiar aos antigos gregos, aos Padres da Igreja, como à democracia norte-americana. Matéria de discussão. De qualquer modo, estamos longe de fazer da noção de bem comum um primitivismo sobrevivendo mal na DSI.
3. Christian Felber (5) é uma personalidade singular. Professor de Economia na Universidade de Viena, escreve sobre Economia e Sociologia, sem deixar de ser bailarino de dança contemporânea. É membro fundador do movimento de justiça global Attac, na Áustria, e iniciador da denominada Banca Democrática. Com um grupo de empresários de sucesso, Felber desenvolveu um modelo conhecido como Economia do Bem Comum ou Economia do Bem-estar Público, como alternativa teórica ao capitalismo de mercado e à economia planificada.
Este tipo de economia deve reger-se por uma série de princípios básicos: confiança, honestidade, responsabilidade, cooperação, solidariedade, generosidade e compaixão, entre outros. Para os seus defensores, as empresas que se guiarem por estes valores deveriam obter vantagens legais que lhes permitissem sobreviver onde imperam as leis do lucro e da competição.
Hoje em dia, mede-se o êxito económico por indicadores monetários: produto interno bruto e lucros que excluem os seres humanos e o seu meio ambiente. Estes indicadores não dizem se há guerra, ditadura, destruição do meio ambiente, etc. De igual modo, uma empresa que obtém lucros - e deve-os obter - não diz em que condições vivem os seus trabalhadores, o que produzem, ou como o produzem.
Pelo contrário, o balanço do bem comum de uma empresa mede-se pelo modo como nela se vive: a dignidade humana, a solidariedade, a justiça social, a sustentabilidade ecológica, a democracia com todos os que nela participam e com os seus clientes.
Tudo isto poderia ser apenas o mundo de boas intenções. As suas realizações em vários países mostram que são possíveis alternativas ao capitalismo de mercado e à economia planificada.
O que Felber diz das abissais desigualdades de salário na Alemanha, onde os altos executivos ganham 5.000 vezes mais do que o salário mínimo legal, deveria ser proibido por lei. Não só na Alemanha (www.economia-del-bien-comun.org).
1) Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Principia, 2005; 2) Sobre a Epístola de S. João aos Partos, Tratado VIII, n.º 5; 3) La Personne et le Bien commun, 1946; 4) Free Persons and the Common Good, Madison Books, 1989; 5) La economía del bien común, Versão Kindle, 2012
Texto obtido em: http://animo.blogs.sapo.pt/846441.html
sexta-feira, 29 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
A PONTE E O VALE DATERRUGEM NA APRESENTAÇÃO DAS PROPOSTAS GANHADORAS NO ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DE OEIRAS
Intervenção do nosso associado propositor na sessão ocorrida nos Paços do Concelho de Oeiras em 07.03.2013
"Gostariamos de agradecer:
Aos munícipes que participaram na
votação, independentemente da opção que fizeram
Aos moradores da Terrugem e do
Alto do Lagoal que viram na ponte uma janela para o mar (Passeio Marítimo) ali
próximo, e para o Vale que se estende para Nascente, pleno de Património Edificado (Quinta da Flor da
Murta, Casas Lino Gaspar e Igrejas Caeiro, Sistemas Hidráulicos antigos, Casas
de Arquitectura Vernacular (saloias) e Património
Natural Humanizado (A Quinta da Terrugem em plena actividade de
recuperação, o Parque Urbano a precisar de recuperação, os Corredores Verdes
Ribeirinho e de Ligação do Vale que conduz, pelas Pedreiras, à Ribeira de
Barcarena, associados aos Pontos de Vista Panorâmicos - Alto do Lagoal e Alto
das Lebres (donde se divisa meio Concelho), já referenciados na actual
proposta de revisão do PDM.
Aos técnicos da CMO que
acompanharam, empenhados, o processo participativo que agora culmina
Aos senhores Directores do
Planeamento e Urbanismo e dos Espaços Verdes com quem temos vindo a trocar
impressões e expressado os desejos das populações
Aos Sr. Vereadores
Aos Sr Vice Presidente
E ao Sr. Presidente da Câmara, a
quem lançámos à cerca de um ano, nesta sala, um repto no sentido de vir a ser
elaborado um Plano, um estudo que seja, para o Vale da Terrugem, atentas as
valências de que falámos, até porque estamos seguros que as nossas aspirações
também são as do Primeiro Autarca de Oeiras.
Obrigados,"
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sábado, 23 de março de 2013
FALECEU O PROFESSOR OSCAR LOPES
PORTUGAL PARECE CADA VEZ MAIS POBRE!
PORÉM, HÁ-DE RENASCER DA RIQUEZA CULTURAL E DA SABEDORIA SEMEADAS
quarta-feira, 6 de março de 2013
A PONTE DA TERRUGEM E O ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DE OEIRAS
"Oeiras apresenta propostas mais votadas do Orçamento Participativo 2012/2013
Data Início:
07-03-2013
Data Fim:
07-03-2013
Local:
Salão Nobre, nos Paços do Concelho, em Oeiras
Outras
Informações:
Pelas 16H
00
As três propostas de munícipes que, no âmbito do processo de Orçamento Participativo 2012/2013, obtiveram o maior número de votos pelo público vão ser apresentadas pela Câmara Municipal de Oeiras no dia 7 de Março, às 16H00, no Salão Nobre, nos Paços do Concelho, em Oeiras.
O transporte de doentes não urgentes, uma ponte pedonal e uma quinta urbana/pedagógica foram as propostas eleitas, de entre um total de 23 que estiveram em votação na página da internet do Orçamento Participativo de Oeiras (http://op2012.cm-oeiras.pt/) e que abrangiam áreas tão diversas como o desporto e atividade física, saúde, mobilidade ciclável e pedonal, apoio às famílias, cultura e património local, entre outras. No período de votação, atingiu-se um total de 4.208 votos.
Recorde-se que o Município de Oeiras lançou, em Maio de 2012, o primeiro processo de Orçamento Participativo, um mecanismo de democracia participativa e voluntária que reforça os princípios e compromissos da autarquia com a aproximação da administração ao cidadão, convidando-os a participar diretamente na definição de prioridades de investimento municipal para o orçamento de 2013.
Todos os cidadãos com mais de 18 anos puderam apresentar as suas propostas a título individual, que contribuíssem para um desenvolvimento mais sustentável do Concelho, através da internet ou presencialmente nas cinco Assembleias Participativas que se realizaram durante o mês de Junho em várias freguesias do Concelho.
Após uma avaliação da viabilidade técnica das propostas apresentadas mais consensuais, realizou-se, em Outubro, uma votação online para atribuir uma prioridade de implementação a cada uma das propostas, que foram posteriormente consideradas pelo Executivo Municipal, aquando da elaboração das Grandes Opções do Plano e Orçamento para o ano de 2013.
Todo o processo está consagrado na Carta de Princípios aprovada em reunião de Câmara de 9 de Maio, disponível no site do Orçamento Participativo em http://op2012.cm-oeiras.pt.
O transporte de doentes não urgentes, uma ponte pedonal e uma quinta urbana/pedagógica foram as propostas eleitas, de entre um total de 23 que estiveram em votação na página da internet do Orçamento Participativo de Oeiras (http://op2012.cm-oeiras.pt/) e que abrangiam áreas tão diversas como o desporto e atividade física, saúde, mobilidade ciclável e pedonal, apoio às famílias, cultura e património local, entre outras. No período de votação, atingiu-se um total de 4.208 votos.
Recorde-se que o Município de Oeiras lançou, em Maio de 2012, o primeiro processo de Orçamento Participativo, um mecanismo de democracia participativa e voluntária que reforça os princípios e compromissos da autarquia com a aproximação da administração ao cidadão, convidando-os a participar diretamente na definição de prioridades de investimento municipal para o orçamento de 2013.
Todos os cidadãos com mais de 18 anos puderam apresentar as suas propostas a título individual, que contribuíssem para um desenvolvimento mais sustentável do Concelho, através da internet ou presencialmente nas cinco Assembleias Participativas que se realizaram durante o mês de Junho em várias freguesias do Concelho.
Após uma avaliação da viabilidade técnica das propostas apresentadas mais consensuais, realizou-se, em Outubro, uma votação online para atribuir uma prioridade de implementação a cada uma das propostas, que foram posteriormente consideradas pelo Executivo Municipal, aquando da elaboração das Grandes Opções do Plano e Orçamento para o ano de 2013.
Todo o processo está consagrado na Carta de Princípios aprovada em reunião de Câmara de 9 de Maio, disponível no site do Orçamento Participativo em http://op2012.cm-oeiras.pt.
domingo, 3 de março de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
SERMÃO DO BOM LADRÃO
"Não são ladrões
apenas os que cortam as bolsas.
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."
Padre António Vieira
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."
Padre António Vieira
domingo, 24 de fevereiro de 2013
QUINTA REAL DE CAXIAS
Oiça aqui o programa da TSF sobre a Quinta Real de Caxias:
http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=918070&audio_id=3069584
sábado, 23 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
NAU N S DOS MÁRTIRES NO PORTO DE RECREIO DE OEIRAS
Porto de Recreio recebe réplica da Nau Nossa Senhora dos Mártires
"O Porto de Recreio de Oeiras é o ponto de partida para a apresentação do projecto de constru...ção de uma nau portuguesa à escala Real, a Nau Nossa Senhora dos Mártires.
Nos dias 23 e 24 de Fevereiro, das 10H00 às 18H00, a Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal irá levar a cabo várias iniciativas no Porto de Recreio. Um grupo de recriadores irá interagir com o público guiando-o numa pequena exposição de material militar da época da expansão marítima portuguesa e com um modelo à escala 1:5, com cerca de 4m de comprimento, baseado na Nau Nossa Senhora dos Mártires, que naufragou na barra de Lisboa em Setembro de 1606.
A exposição será interactiva, em que qualquer pessoa poderá envergar equipamento ou manobrar a nau. Haverá ainda mostras de combates e exibição de réplicas de armas de fogo.
No domingo de manhã, será lançada à água uma coroa de flores em homenagem às vítimas do naufrágio da Nossa Senhora dos Mártires.
A Nau Nossa Senhora dos Mártires foi um dos Navios, inovador e único na sua época, que constituiu a base do Império Ultramarino Português e do domínio dos mares de todo o Mundo por mais de 100 anos, permitindo manter a segurança nas principais rotas comerciais e manter fortes presenças em territórios longínquos.
A organização pretende que esta embarcação percorra o planeta mostrando ao visitante um Museu Vivo, em cada porto que esteja, assim como o legado português na história mundial. Será também um veículo fulcral de investigação experimental, de sensibilização para temas como o Mar e os Oceanos, intercâmbios culturais, reactivação de indústrias tradicionais e também incentivar a prática de desportos náuticos e de recreio.
Não existe em Portugal nenhuma réplica em funcionamento de um navio destes e com uma dinâmica de movimentação e inter-acção que se pretende diferente e que também se destacará de outros navios de época que rumam os mares do nosso planeta.
Esta iniciativa conta com o apoio da Oeiras Viva EEM e da Câmara Municipal de Oeiras."*
* A partir do Facebook
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FREGUESIAS DE CAXIAS E PAÇO DE ARCOS...EM OEIRAS
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Lei n.º 11-A/2013
de 28 de janeiro
Reorganização administrativa do território das freguesias
Município de Oeiras
Total de freguesias
...
UNIÃO DAS FREGUESIAS
DE ALGÉS, LINDA-AVELHA
E CRUZ QUEBRADA-
DAFUNDO
(Sede em Algés)
...
UNIÃO DAS FREGUESIAS
DE CARNAXIDE E QUEIJAS
(Sede e Carnaxide)
UNIÃO DAS FREGUESIAS
DE OEIRAS E SÃO JULIÃO
DA BARRA, PAÇO
DE ARCOS E CAXIAS
(Sede em Oeiras)
...
BARCARENA
...
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
OEIRAS E O PASSE SOCIAL DA VIMECA
Será o fim do passe social? Veja aqui informação sobre este assunto.
http://conversavinagrada.blogspot.pt/2013/02/oeiras-uma-ilha-de-bem-estar-4.html
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
AINDA A REVISÃO DO PDM
"A Câmara Municipal de Oeiras e as entidades que se pronunciaram contra a revisão do plano director municipal (PDM) já entraram em fase de concertação sobre o documento. Ao i, Sílvia Breu, directora do gabinete de desenvolvimento municipal, explicou ontem que apesar de a autarquia ter visto chumbada a sua proposta de transformar todos os terrenos do município em solo urbano, não desistirá da sua estratégia. A responsável lembrou ainda que “em tese, o parecer negativo da Comissão de Acompanhamento – que integra a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT)e outros organismos da administração central – não é vinculativo e que a câmara até poderia ter optado pela aprovação do plano, apesar da reprovação.”
O parecer negativo da CCDR-LVT ao projecto de revisão do PDM de Oeiras apontava várias críticas à estratégia de desenvolvimento do território escolhido e que passava por transformar todos os terrenos que faziam parte da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN) – 7% da área do município – em solo urbano. O documento refere ainda que a “reclassificação do solo rural em solo urbano tem carácter excepcional”, uma vez que tem relação directa com a dinâmica demográfica e com o desenvolvimento económico e social.
Ainda assim, em declarações ao i, Sílvia Breu garantiu ontem que apesar das negociações em curso, a autarquia não desistirá do seu modelo de desenvolvimento. “O mais importante nesta fase que agora começou é salvaguardar a nossa estratégia, até porque quem conhece o município percebe claramente que aqui não há ruralidade”, explica a responsável.
Uma posição que Miguel Pinto, deputado municipal em Oeiras pelo Bloco de Esquerda, contesta, justificando que existem várias zonas rurais, a começar por Barcarena e Porto Salvo. “Além, disso, vejo nesta revisão do PDM uma contradição com o facto de o presidente ter referido na última reunião municipal que se vai salvaguardar mais os espaços verdes”, atacou.
Plano pormenor pode ser solução “Esperamos que esta fase dure dois ou três meses, período durante o qual estaremos abertos à discussão com as entidades que se pronunciaram contra a proposta de revisão do plano apresentada.” disse, Sílvia Breu, concluindo: “Caso não seja aprovada a transformação de todos os solos em solos urbanos, a nossa estratégia manter-se-á, até porque podemos sempre mais tarde ultrapassar essa situação com planos pormenor, quando estiver em causa o de-senvolvimento do território”.
Apesar de o parecer ter identificado outras insuficiências, como a falta de equipamentos desportivos, a protecção do património arqueológico, o não acautelamento dos espaços previstos em planos de emergência e questões ligadas à cartografia, foi a pretensão de transformar tudo em solo urbano que mais questões levantou à Comissão de Acompanhamento.
Miguel Pinto diz ainda ter explicação para a insistência da câmara municipal presidida por Isaltino Morais na reclassificação dos solos pelo PDM: “Isto é uma manobra a favor do betão, que favorece alguns amigos. Não me admirava que qualquer dia arranjassem maneira de acabar com o Estádio Nacional”, que fica situado no concelho.
Na conclusão do parecer da Comissão de Acompanhamento, a Câmara Municipal de Oeiras é aconselhada a ponderar sobre “a identificação de áreas de potencial acolhimento de actividades estratégicas, mas sem lhe conferir o estatuto de solo urbano”.
Esta discordância entre a autarquia e a CCDR não terá uma solução fácil, segundo o deputado municipal Miguel Pinto. Quanto à utilização de planos pormenor, o deputado bloquista é muito crítico: “O hábito que a Câmara Municipal de Oeiras tem, quando quer uma construção que viola o PDM, é recorrer a planos de pormenor. Sempre foi assim. Aliás, arrisco-me a dizer que nesta autarquia a utilidade dos planos pormenor é mesmo essa, a de violar o PDM.”
Mas a directora do gabinete de desenvolvimento municipal explica que agora o objectivo é chegar ao final com um plano aprovado pela CCDR-LVT, até porque, de outro modo, já o teriam aprovado, uma vez que o parecer negativo ao Plano Director Municipal no mês passado não tem carácter vinculativo. “Como já referi poderíamos ter aprovado a proposta de revisão do PDM, mesmo com a rejeição da CCDR-LVT, mas não achamos que isso seja correcto nem que fizesse qualquer sentido. Agora, o que pretendemos é que haja um plano aprovado após esta fase de concertação” entre a autarquia e as entidades que emitiram o parecer desfavorável, esclareceu Sílvia Breu."
Reprodução do artigo publicado em: http://www.ionline.pt/portugal/oeiras-isaltino-rectifica-propostas-revisao-pdm-mantendo-estrategia-inicial
O parecer negativo da CCDR-LVT ao projecto de revisão do PDM de Oeiras apontava várias críticas à estratégia de desenvolvimento do território escolhido e que passava por transformar todos os terrenos que faziam parte da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN) – 7% da área do município – em solo urbano. O documento refere ainda que a “reclassificação do solo rural em solo urbano tem carácter excepcional”, uma vez que tem relação directa com a dinâmica demográfica e com o desenvolvimento económico e social.
Ainda assim, em declarações ao i, Sílvia Breu garantiu ontem que apesar das negociações em curso, a autarquia não desistirá do seu modelo de desenvolvimento. “O mais importante nesta fase que agora começou é salvaguardar a nossa estratégia, até porque quem conhece o município percebe claramente que aqui não há ruralidade”, explica a responsável.
Uma posição que Miguel Pinto, deputado municipal em Oeiras pelo Bloco de Esquerda, contesta, justificando que existem várias zonas rurais, a começar por Barcarena e Porto Salvo. “Além, disso, vejo nesta revisão do PDM uma contradição com o facto de o presidente ter referido na última reunião municipal que se vai salvaguardar mais os espaços verdes”, atacou.
Plano pormenor pode ser solução “Esperamos que esta fase dure dois ou três meses, período durante o qual estaremos abertos à discussão com as entidades que se pronunciaram contra a proposta de revisão do plano apresentada.” disse, Sílvia Breu, concluindo: “Caso não seja aprovada a transformação de todos os solos em solos urbanos, a nossa estratégia manter-se-á, até porque podemos sempre mais tarde ultrapassar essa situação com planos pormenor, quando estiver em causa o de-senvolvimento do território”.
Apesar de o parecer ter identificado outras insuficiências, como a falta de equipamentos desportivos, a protecção do património arqueológico, o não acautelamento dos espaços previstos em planos de emergência e questões ligadas à cartografia, foi a pretensão de transformar tudo em solo urbano que mais questões levantou à Comissão de Acompanhamento.
Miguel Pinto diz ainda ter explicação para a insistência da câmara municipal presidida por Isaltino Morais na reclassificação dos solos pelo PDM: “Isto é uma manobra a favor do betão, que favorece alguns amigos. Não me admirava que qualquer dia arranjassem maneira de acabar com o Estádio Nacional”, que fica situado no concelho.
Na conclusão do parecer da Comissão de Acompanhamento, a Câmara Municipal de Oeiras é aconselhada a ponderar sobre “a identificação de áreas de potencial acolhimento de actividades estratégicas, mas sem lhe conferir o estatuto de solo urbano”.
Esta discordância entre a autarquia e a CCDR não terá uma solução fácil, segundo o deputado municipal Miguel Pinto. Quanto à utilização de planos pormenor, o deputado bloquista é muito crítico: “O hábito que a Câmara Municipal de Oeiras tem, quando quer uma construção que viola o PDM, é recorrer a planos de pormenor. Sempre foi assim. Aliás, arrisco-me a dizer que nesta autarquia a utilidade dos planos pormenor é mesmo essa, a de violar o PDM.”
Mas a directora do gabinete de desenvolvimento municipal explica que agora o objectivo é chegar ao final com um plano aprovado pela CCDR-LVT, até porque, de outro modo, já o teriam aprovado, uma vez que o parecer negativo ao Plano Director Municipal no mês passado não tem carácter vinculativo. “Como já referi poderíamos ter aprovado a proposta de revisão do PDM, mesmo com a rejeição da CCDR-LVT, mas não achamos que isso seja correcto nem que fizesse qualquer sentido. Agora, o que pretendemos é que haja um plano aprovado após esta fase de concertação” entre a autarquia e as entidades que emitiram o parecer desfavorável, esclareceu Sílvia Breu."
Reprodução do artigo publicado em: http://www.ionline.pt/portugal/oeiras-isaltino-rectifica-propostas-revisao-pdm-mantendo-estrategia-inicial
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
PARQUE DOS POETAS
Câmara Municipal de Oeiras inaugura a Zona B da 2ª Fase do Parque dos Poetas no
dia 16 de fevereiro, a partir das 17 horas. Trata-se de uma festa aberta a toda
a população que reúne Poesia, por José Fanha acompanhado por músicos da Roda do
Chorinho de Lisboa - Eduardo Miranda (bandolim) e Carlos Lopes (acordeão) - e
Música, com momentos protagonizados por João Gil e Luís Represas.
A inauguração encerra com um espetáculo de Luz e Som na Fonte Cibernética
(com rotação a 360º).
A partir desta data abrem-se as portas desta nova zona do Parque que presta
homenagem à Poesia e aos escultores da Lusofonia. O espaço tem uma extensão de
cerca de sete hectares, e situa-se na extremidade Sul do Parque (concretamente,
entre a Rua Carlos Vieira Ramos e o viaduto do Espargal).
O projeto de Francisco Caldeira Cabral e Elsa Severino procurou integrar o
que de melhor tem a natureza: o elemento água - que está presente em riachos e
numa grande fonte (ilhas do amores) –, onde o cuidado arranjo paisagístico,
integrou a gruta de Camões e as 14 ninfas que fazem recordar os países por onde
andaram os portugueses.
No vasto espaço ajardinado, e em toda a extensão do Parque encontramos também
mais 13 esculturas, cada uma da autoria de um escultor, desde os Trovadores à
Renascença, que representam o que de melhor tem a Escultura Contemporânea
Portuguesa.
Refira-se que a sustentabilidade hídrica do projeto foi tida em consideração:
a rega de todo o Parque e o abastecimento da “Ilha dos Amores” far-se-á pela
água captada do subsolo, utilizando-se os vastos lençóis freáticos
existentes.
Esta zona inclui também um parque infantil para os mais pequenos.
O investimento Municipal ronda os 9 milhões de euros, onde se incluem os
conjuntos escultóricos.
Recorda-se que esta zona é uma extensão da primeira fase do Parque,
inaugurada em 2003. Aquando da inauguração da restante zona (fase A), o Parque
dos Poetas ficará, na sua totalidade, com 27 hectares.
Programa da inauguração:
17H00
Concentração na Rua Carlos Vieira Ramos (entrada Parque dos Poetas)
18H00
Descerramento da placa de inauguração (junto ao Espargal)
Intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais
Momento de Poesia com José Fanha, acompanhado pelos músicos Eduardo Miranda
(Bandolim) e Carlos Lopes (Acordeão), ambos da Roda do Chorinho de Lisboa
Momento Musical com João Gil e Luís Represas
Espetáculo de Luz e Som na Fonte Cibernética
domingo, 3 de fevereiro de 2013
REVISÃO DO PDM DE OEIRAS
Nota: Por não encontrarmos registo sobre este assunto no sítio da CMO optámos por reproduzir aqui a notícia do Jornal Público de ontem.
Deste assunto já havíamos falado aqui:
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
ARTESANATO NO VALE DA TERRUGEM
Esplanada junto ao Museu do Automóvel na Quinta da Terrugem em Paço de Arcos
Divulgar por favor:
Irá realizar-se no Domingo dia 3 de Fevereiro entre as 15 e as 18H00 na esplanada junto ao Museu do Automóvel na Quinta da Terrugem em Paço de Arcos o 5º encontro do Grupo Artesãs da Terrugem, grupo criado para quem gosta de lavores, tricot, crochet e também para trocar ideias, ensinar quem não sabe, aprender, enfim... passar uma tarde em convívio alegre e bem-disposto.
Não esquecer muito importante, levar boa disposição, fio, agulhas e ao trabalho!
Apareçam e partilhem!
NOTA DA REDACÇÃO: Publicamos este anuncio com a devida reserva, posto que o comentário em cima apareceu hoje no nosso blogue por alguém que não indicou o nome. De qualquer modo temos a expectativa que sejam pessoas interessadas em movimentar o Vale e libertá-lo do marasmo.
AOS SÁBADOS NO PALÁCIO
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ARTESANATO
Artesanato
em Oeiras
[ feira ]
02 Fevereiro 2013, 10h00 às 18h00
Mercado Municipal de Oeiras
Para saber mais clique em: Espaço
e Memória
domingo, 27 de janeiro de 2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
FEIRA EM PAÇO DE ARCOS
"O Jardim Municipal de Paço de Arcos vai receber uma feira itinerária denominada Feira da Cultura e dos Saberes, de 22 de janeiro a 14 de fevereiro.
Neste mercado, de carácter cultural, é possível adquirir diversos livros, entre milhares de diferentes editoras presentes, a baixo custo.
A ação visa também a divulgação e venda gastronomia e outros produtos.
... A Feira é realizada em tenda montada para o efeito, funcionando de segunda a domingo, das 10:00 às 20:00.
A iniciativa é promovida pela Junta de Freguesia de Paço de Arcos, com organização da MBooks-Livros no seu caminho e Sistema J, editora portuguesa de livros."
Neste mercado, de carácter cultural, é possível adquirir diversos livros, entre milhares de diferentes editoras presentes, a baixo custo.
A ação visa também a divulgação e venda gastronomia e outros produtos.
... A Feira é realizada em tenda montada para o efeito, funcionando de segunda a domingo, das 10:00 às 20:00.
A iniciativa é promovida pela Junta de Freguesia de Paço de Arcos, com organização da MBooks-Livros no seu caminho e Sistema J, editora portuguesa de livros."
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
CONCERTOS EM OEIRAS
Janeiro
Dia 27 de Janeiro (Domingo), às 11h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha (Av. das Descobertas,
2780-053 Oeiras)
... Jogo de criança de J. Bizet (*)
Direcção Artística e Comentários: Maestro Nikolay Lalov Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Fevereiro
Dia 24 Fevereiro (Domingo), às 11h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha (Av. das Descobertas,
2780-053 Oeiras)
O Padre António Vivaldi e as suas 4 Estações de A. Vivaldi (*)
Com solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras.
(*) Para crianças maiores de 6 anos.
Entrada gratuita (distribuição de senhas, até à lotação da sala, a partir das 10h00)
INFORMAÇÕES
CM Oeiras - Divisão de Cultura e Turismo
tel. 214 408 524/65
dct@cm-oeiras.pt
Este evento também se encontra disponível em http://www.cm-oeiras.pt/ agenda/Paginas/ ConcertodidaticoHistoriasda MusicaeMusicacomHistorias. aspx
Dia 27 de Janeiro (Domingo), às 11h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha (Av. das Descobertas,
2780-053 Oeiras)
... Jogo de criança de J. Bizet (*)
Direcção Artística e Comentários: Maestro Nikolay Lalov Solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Fevereiro
Dia 24 Fevereiro (Domingo), às 11h00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha (Av. das Descobertas,
2780-053 Oeiras)
O Padre António Vivaldi e as suas 4 Estações de A. Vivaldi (*)
Com solistas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras.
(*) Para crianças maiores de 6 anos.
Entrada gratuita (distribuição de senhas, até à lotação da sala, a partir das 10h00)
INFORMAÇÕES
CM Oeiras - Divisão de Cultura e Turismo
tel. 214 408 524/65
dct@cm-oeiras.pt
Este evento também se encontra disponível em http://www.cm-oeiras.pt/
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
FUTURO DO SATU
O futuro do SATU - Sistema Automatizado de Transporte Urbano, muito contestado desde a sua criação, vai ser discutido na próxima Sessão Extraórdinária da Assembleia Municipal de Oeiras, a ter lugar na próxima segunda-feira [21/Jan].
Para saber mais clique em:
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
HISTÓRIA DE PORTUGAL D. LUIS DA CUNHA
"JORNADA
D. LUÍS DA CUNHA E AS NEGOCIAÇÕES DE UTREQUE
Biblioteca Nacional de Portugal, 17 de Janeiro de 2013
No âmbito do 300º aniversário do início das negociações dos Tratados de Paz de Utreque e do
350º aniversário do nascimento de D. Luís da Cunha, esta Jornada realiza-se no dia da inauguração
da exposição sobre a sua obra, destacando também o significado daquelas importantes negociações
diplomáticas. O Congresso de Utreque junta-se ao de Vestefália (1644-48) e ao de Viena (1814-15)
como marco fundamental no desenvolvimento da diplomacia e na construção do sistema
internacional moderno, com fortes consequências para Portugal e, sobretudo, para os seus
domínios sul-americanos. Desejando alargar a reflexão a um maior número de participantes,
tomamos este dia de trabalho como uma ocasião para partilhar resultados das pesquisas, debater
problemas metodológicos da investigação na área da diplomacia e da história das relações
internacionais e sensibilizar a comunidade científica nacional para o interesse de dar continuidade a
este tipo de estudos."
Para ver Programa entrar em: http://www.fl.ul.pt/images/stories/Documentos/Agenda/UTREQUE_PROGRAMA.pdf
domingo, 13 de janeiro de 2013
EXPOSIÇÃO
"A Câmara Municipal de Oeiras apresenta a exposição “Color Field/Campo de Cor”, com mais de 40 obras de João Feijó, de 18 de janeiro a 24 de março de 2013, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras. "
Informação da CMO: http://www.facebook.com/home.php#!/events/480521025334162/
Informação da CMO: http://www.facebook.com/home.php#!/events/480521025334162/
Etiquetas:
Artes Plasticas.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
AQUEDUTO DE CARNAXIDE
Classificação
como Monumento de Interesse Público
do
Aqueduto de Carnaxide
Para saber mais clique em:
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sábado, 29 de dezembro de 2012
(Um longo e magistral texto do escritor Mário de Carvalho a ler, divulgar, guardar e, sobretudo, a não perder)
Mário de Carvalho Avé Portugal mendigo. Senhora da Linha em maré de pobres
1.
A esmola. O próprio vocábulo hoje incomoda. Tem travos de aviltamento, atraso e rebaixo. No século XXI, há quem queira voltar à prática infamante da esmola! As saudades da Idade-Média tardam ao esconjuro. Mas o lastro da miséria não é aura que eleve aos céus. É chumbo que arrasta para as regiões inferiores, onde, segundo as mitologias, se arde.
Vem-me primeiro à ideia o orador Rufino de «Os Maias». É o meu espírito faceto. Mas eu não consigo ser sempre faceto. A memória não deixa. Acode-me o mal-estar de miúdo quando um padre me levou num grupo a distribuir embrulhos por tugúrios de Alfama. Para que os meninos do liceu soubessem como vivia a pobreza, explicou. Eu não precisava que me lembrassem como vivia a pobreza. Sabia e sabia bem. Tinha brincado com miúdos rotos e descalços que usavam carrinhos feitos de arame como agora em África. Tinha entrado em casas de chão batido em que não havia nem uma cadeira. Tinha visto os pedintes chegarem aos grupos, esfarrapados, longas barbas, bornal ao ombro, por entre os arremessos dos cães, e ficarem depois às sobras debaixo dum chaparro. Tinha espreitado a guarda a cavalo, de chapéu colonial, a patrulhar os campos e a assegurar-se de que tudo estava em ordem: «Assine aí, lavradora!». Tudo estava em ordem. A ordem da miséria e da degradação. A ordem natural das coisas. Pobres sempre haveria. Porque sim. À cautela, aquelas «Mauser» em bandoleira eram garantes.
Isto vem, claro, a propósito da doutora Maria Isabel Jonet. E começou a ser escrito após uma senhora deputada ter entrado em guincharia num programa de televisão conduzido por uma daquelas figuras curvadas que nos vêm abrir uma porta rangente, de candelabro na mão, olho torvo e beiçola descaída, quando o nosso carro sem gasolina parou numa charneca desértica, entre nevoeiros, sem haver mais que uma mansão decrépita.
A deputada estridulou acusações contra «campanhas» e destemperou insultos. Mal defendida ficou a ré Isabel. Mal vista a parlamentar. Diminuídos todos. Suscitado este texto.
2.
Eu até nem desgosto especialmente da Doutora Jonet. E não se trata de nenhuma simpatia atávica pelos simples. Acho que é mais defeito meu: uma dificuldade em antipatizar, da natureza daquelas portas perras que, por mais que se tente, não fecham. Aliás, nomeio a pessoa apenas para que não interpretem a omissão como pejorativa.
A actividade caridosa dos ricos também não me causa, em si, especial contrariedade. Cuidar dos outros nunca fez mal a ninguém. Enquanto certa gente se entretém com a caridade não está a fazer coisas piores: intrigas, festarolas, ostentações, frioleiras, chazinhos. E, em certos casos, malfeitorias.
Vou passar de alto as últimas declarações da respeitável senhora. Dizem-me que se tem desdobrado em entrevistas. E mais insinuam: que não se trata de uma bem organizada manobra de influências, abusando de subalternidades nos jornais, mas de coisa pior: vontade pérfida, por parte da imprensa, de a surpreender, mais uma vez, em inconveniências. Eu nunca entraria nem num jogo, nem noutro. De maneira que recorro à minha memória, que é fraca, pedindo desde logo que me corrijam, se estiver equivocado:
-- Aqui há tempos, a um propósito que tinha a ver com a entreajuda na família, afirmou convictamente que os filhos deviam ajudar «a cortar a relva»;
- Noutra ocasião, referindo-se aos jovens dos seus relacionamentos disse, por palavras suas, que esses eram as «elites» que iriam estar à frente deste país.
-- Na véspera das últimas eleições legislativas (em pleno período de reflexão) convidada pelo espertíssimo Doutor Rebelo de Sousa que a olhava com o amarotado deleite de quem acaba de fazer batota na «vermelhinha», a senhora debitou, item a item, dogma a dogma, todo (mas todo) o papagueio da cartilha que tem vindo a desgraçar este país.
A «relva» ainda passa. É a consequência de se viver num mundo fechado. Mas sendo uma pessoa tão viajada… Não interessa. Já conheci gente que andou pelos sítios mais desvairados e não viu nada. Pode ir-se e voltar-se da Conchinchina setenta vezes sem sair de intramuros.
O considerar que certo tipo de jovens está destinado a governar é uma concepção classista, capciosa, e até ofensiva para a esmagadora maioria da juventude. Mas temos de reconhecer que há falhas de educação que nos acompanham toda a vida. O saisons, o chateaux…
Já fazer propaganda em dias de defeso é muito mais grave. Mas creio que podemos atribuir as culpas a quem a convidou para aquele programa, naquela precisa noite, sabendo de antemão que a senhora não poderia deixar de dizer as inanidades que lhe estão na massa do sangue. Com tal habilidade e torsão de manobra não admira que o Professor Rebelo de Sousa acabe, tanta vez, por se rasteirar a si próprio.
Surpreende-me é que as pessoas que, outro dia, se indignaram com a questão dos bifes e das torneiras (parece ter havido, entretanto, outra pérola sobre a temperatura do dueto solidariedade/caridade) não deram nem pelo corte da relva, nem pela vocação oligárquica, nem pela violação encapotada da lei eleitoral. Não se tratou de uma mera impertinência de uma senhora num tropeço de infelicidade. Por trás há um pensamento. Uma ideologia. E há muita gente (se calhar muitos dos vociferantes) que tem consentido nessa ideologia que faz passar por «normal» uma concepção do mundo arcaizante.
3.
No país em que eu nasci, quem mandava eram os ricos que encarregavam das tarefas sujas uns professores de Coimbra e uns militares que por sua vez comandavam legiões de desgraçados. Durante gerações, houve pessoas, em número mínimo, que beneficiaram duma vida remansosa dentro dum circuito fechado e protegido. A sua insensibilidade social era completa. Nem se apercebiam de que em volta havia pobre gente maltratada, humilhada, presa, espancada. Se lhe chegassem rumores (através das criadas, por exemplo) considerariam que era natural. O imperfeito mundo funcionava assim mesmo, éramos «um país pobre», resignassem-se. E até encontravam uma especificidade nacional justificativa do nosso fascismo doméstico. Era desumano? Paciência. Havia oratórios, terços, missas, e em calhando cilícios e bodos aos pobres. A desumanidade redimia-se nos ritos.
De repente (surpresa para eles) caiu-lhes uma revolução em cima, transtornou-lhe os planos, estremeceu-lhes as carreiras, desmarcou-lhes as festas. O que se chama, na sabedoria popular «uma patada no formigueiro».
Nunca perdoaram esses momentos – fugazes - de perturbação das pequenas vidas. Não tardariam, eles e seus descendentes, a ser repostos nos lugares de antes (em circunstâncias e conluios que não importa agora rever) mas num quadro jurídico e institucional diverso: a democracia. Essa incomodidade áspera, própria de intelectuais irrealistas, operários transviados e outros lunáticos, mostrava-se demasiado imponente para se derrubar de golpe? Dissimulasse-se. Corroesse-se por dentro. Desviassem-se os recursos do Estado. Praticasse-se uma permanente cleptofilia. E, dentada a dentada, sangria a sangria, desgaste a desgaste, chegou o momento que julgaram oportuno para rasgarem as fantasias e voltarem aos plenos poderes de antes, a coberto dos seus criados. A vingança serve-se fria. Há um nome francês que se usa no caso: «revanche».
É deste movimento que a doutora Maria Isabel Jonet tem sido uma porta-voz, no seu estilo muito próprio. E só agora muita gente nota. Porque vinha tudo no embalo duma quotidiana propaganda que dia a dia, linha a linha, imagem a imagem, inculcava nos espíritos o acatamento dum mundo de diferenças e de desigualdades. O mundo em que a doutora Jonet – e outras pessoas do mesmo entendimento – se sentem realizadas.
Quando por todo o lado se apregoa – com grande favor jornalístico – a ideia de que o Engº Zulmiro não deve pagar o mesmo nos transportes que um reformado pobre, quando se dispõem contrapartidas distintas, conforme os escalões, nos cuidados de saúde, quando se estabelecem diferenças de tratamento ao sabor dos rendimentos declarados não é a justiça que estão a praticar. Muito ao contrário. É a normalização e a institucionalização das desigualdades. É um desenho do mundo em que a pobreza (a dos outros) se aceita como fatalidade. A restauração do despenhado mundo dos pobres, como eu o conheci.
Os ricos já têm o poder económico neste país. Asseguraram, através dos seus valetes, o poder político; ainda querem mais: exercer o poder pessoal, sobre as vidas de cada um, usando, ou sendo transmissários, do instrumento da esmola. É a imposição da desigualdade como ordem natural das coisas, como uma grelha implacável cravada na sociedade portuguesa. A esmola, neste quadro, faz lembrar o cajado do guardador de rebanhos. Pobres para serem mandados, distribuídos, orquestrados, mordidos, concentrados, castigados, benzidos.
E isso é bem diferente de praticar a caridade, nas falhas e interstícios do chamado Estado social. Não há aqui expressão de amor ao próximo. Não se trata dos casos (meritórios) em que se descarregam consciências, sem que uma mão saiba o que faz a outra. É, ao contrário, uma fórmula institucional de violência. Esse mal, sistémico e obsidiante, não se deixa compensar com os maquinismos do bem-fazer de uma indústria caridosa. Por um lado fabricam-se pobres, através dum sistema social iníquo. Por outro lado, esmolam-se os pobres que se criaram. É repulsivo? É, sim, e estão em campo as mesmas famílias (descendentes ou afins) praticantes dos bodos dos tempos do fascismo.
4.
Falemos agora de decência. É um conceito que não tem que ver com o sapatinho de vela no verão, o esgoleiramento da camisinha branca ao fim-de-semana, os gestos miúdos do chazinho ou a mãozinha no volante do Porshe, nem com os objectos «de marca» que irmanam paradoxalmente os extremos do espectro social. Vadios de cima e vadios de baixo (Eça confrontava-os no Chiado) entusiasmam-se pelos mesmos efeitos. Apuradas as razões, hão-de encontrar-se num subterrâneo fio de ligação, mais ou menos disfarçado: frivolidade iletrada. Aos de cima, chamou a doutora Isabel Jonet «elite», por manifesto equívoco. Como se no país não existissem cientistas, arquitectos, engenheiros, artistas, professores, médicos, advogados, e tudo tivesse que rasar-se pela bitola de alguns economistas, banqueiros, «gestores» e ociosos.
Um dos preceitos estruturantes que escora o nosso ordenamento jurídico e funda a confiança nos comportamentos eticamente regulados vem do direito romano e das ancestrais práticas de boa-fé e exprime-se no brocardo: «pacta sunt servanda», ou seja, os compromissos são para se cumprirem. E sobre isto não há expedientes de contabilistas, não há casuísticas habilidosas, não há reservas mentais, não há passes de futebolista atendíveis. Há uma obrigação? Cumpra-se.
Mas a plutocracia que tem mandado nos destinos dos portugueses transportou para o Estado os seus pequenos hábitos de manobrismo, de expedientes, habilidades, truques, quando não de falcatrua, que retiraram à entidade a sua natureza de «pessoa de Bem». Ser «de bem» é uma noção que está fora do alcance de quem apenas acha meritórios o lucro e as negociatas. Coisa abstracta e «intelectual», própria de «otários» para utilizar a linguagem das cadeias que acaba por não ser muito diferente, numa perspectiva de extremos tangenciais
É assim que vemos governantes a colocarem o Estado Português na situação de violar os compromissos tomados para com os seus trabalhadores e aposentados. A ignorar prazos contratuais. A incumprir as promessas juradas perante o seu eleitorado. A fazer negaças às própria constituição. De modo tão flagrante e provocatório que lhes fez perder a legitimidade formal que detinham à partida.
Ora quem se coloca fora da lei está a pedir um tratamento fora da lei. Mas eles não estão apenas a pedir pedradas. Estão a pedir o confisco dos seus relvados, dos seus automóveis, das suas casas, das suas piscinas, dos seus valores mobiliários, dos seus quadros, dos seus cavalos, das suas jóias e luxos e a supressão de todas as mordomias. Não que isso seja economicamente relevante. Mas significa a reposição de um mínimo de decoro.
Ser-lhes-á então tarde para perceber que numa situação de ruptura a própria polícia mudará de campo. Certos jornalistas descobrirão escrúpulos éticos insuspeitados. Economistas e contabilistas virão dizer que foram mal interpretados e nunca proferiram aquelas coisas. Irromperão múltiplos vira-casacas e desertores da tirania de mercado, dispostos a pisar a livralhada de Milton Friedman e a cuspir no retrato emoldurado da Senhora Thatcher.
E lá terão as pessoas de bom senso de arriscar a reputação e a pele para evitar que se maltratem umas dúzias de plutocratas amedrontados e seus serviçais de fatinho, rojados pelo chão, de folha de cálculo à mostra.
MdC
20-12-2012
Post integralmente recolhido no Blogue: http://jardimdasdelicias.blogs.sapo.pt/21687.html, a quem agradecemos a gentileza.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
BANDO PRECATÓRIO DE ALGÉS A OEIRAS
1892.MAR.17 - "Os bombeiros voluntarios d'este concelho, 1ª e 2ª secção, acompanhados pela illustre direcção e mais socios do Gremio de Recreio Popular, de Paço de Arcos e pelas fanfarras Serpa Pinto, de Oeiras e Independencia, de Paço de Arcos, sairam no domingo, 6 do corrente, em bando precatorio a favor das vitimas sobreviventes da medonha catastrophe occorrida na Povoa de Varzim...Outro sim se resolveu que no domingo, 13, saísse novamente para acabar de percorrer os lugares a que não tinha sido possível ir...em virtude de a manhã de domingo se ter apresentado chuvosa, não se organizou o bando como desejava e apenas os voluntarios da 1ª secção foram até Algés, onde deviam receber a bomba que a exmª camara havia mandado construir nas acreditadas officinas do Sr. Felix Capucho, e que veio para serviço da referida secção...Eram 4 horas da tarde quando os voluntarios tomaram conta da bomba, em Belem, e d'ali marcharam para esta vila. De Algés por diante tocou a fanfarra com alegria e sem que mostrasse fadiga, os corajosos rapazes fizeram o percurso até Paço d'Arcos em 2 horas. Os camaradas da 2ª secção receberam-nos com foguetes e tiveram a amabilidade de lhes offerecer um calix de vinho e bollos, levantando-se diversas vivas à boa camaradagem...O pessoal da 2ª secção acompanhou até Oeiras a 1ª secção, aonde grande multidão de povo a aguardava, e das janellas foram lançadas flores sobre o pessoal";
Texto e imagem recolhidos no Facebook de Gazeta de Oeiras:
http://www.facebook.com/GazetaDeMiraflores?ref=stream
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